Silvia Alvarenga

  • 24
  • Jun
  • 2009

Dois Mundos

  • 24
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  • 2009

Quando alguma criança começava a caçoar de mim e me maltratar, jogando até mesmo areia do jardim em meu rosto, eu era capaz somente de chorar e não fazer nada para me defender. A única esperança que tinha na escola era quando minha irmã me via de longe e enfrentava a todos que iam em contra de mim.


Eu não entendia porque tudo isso estava acontecendo comigo. E para piorar, as pessoas vinham me perguntar o que havia acontecido com minha boca. Aquilo ia me corroendo, parecia ter um bolo dentro da minha garganta. Meu desejo era só chorar, mas engolia minha dor e tentava explicar com palavras cortadas o que nem eu entendia.


Assim foi minha infância, eu vivia com dois mundos diferentes. Eu era engraçada, feliz, espontânea, amiga de todos que me amavam (família e amigos da família), mas na escola, era tímida, triste, medrosa e muito covarde.


O que me fazia muito feliz era quando tinha que fazer alguma cirurgia, pois eu sabia que iria ser o centro das atenções para todos os meus familiares e amigos. Todos ficavam surpresos pela alegria que eu sentia ao saber que ia ser operada. Mas no fundo no fundo, eu era super medrosa diante desse mundo desconhecido que enfrentava.


No dia da operação, tremia igual uma vara verde. Minha mãe estava comigo o tempo inteiro, ela era a minha segurança, ela não podia faltar nesses momentos porque me trazia paz. Porém, quando chegavam os enfermeiros para me levarem a sala de cirurgia, eu chorava com os meus braços estendidos em direção a minha mãe, pois muitas vezes o comprimido de sedação que eles me davam não fazia efeito, e ia acordada, chorando, com um desespero na minha alma. Assim que tive que aprender a enfrentar o medo sozinha.


Realmente não pude ter a proteção da minha família todo tempo, havia momentos em que me deparava com situações amargosas e, conforme eu fui crescendo, os traumas foram crescendo dentro de mim. Não houve solução para mim até que entendi como usar a fé no Deus vivo, e fui livre de todos os traumas. Hoje posso dizer que sou feliz. Não existe nenhum problema para o qual não haja um refúgio e uma solução. Esse Deus supre todas as minhas necessidades a qualquer momento.


Eu agradeço a Deus por ter me dado uma família estruturada e também por ter me concedido a oportunidade de conhecê-Lo. Eu vejo que a família é algo extremamente importante, porque isso pode influenciar toda a sua vida futura. A união dos meus pais e o exemplo deles em casa fez com que eu os admirasse e seguisse o exemplo deles ao desejar ter uma família com o homem que eu amasse.


Encontrei esse homem aos meus 16 anos, e aos 17 anos nos casamos e todos me diziam que era muito nova para me casar. Mas eu tinha a plena certeza do que estava fazendo. Não queria ficar namorando com um ou com outro. Eu queria já desde cedo viver uma vida séria. Casamos e continuo casada com o homem que me completa. Já se passaram 17 anos de casada e continuo amando ainda mais a ele, e vice-versa.

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19 Comments

  1. Praticamente a mesma guerra que eu passava no colégio, mas por causa de um problema hormonal que me fazia suar demais, e eu era muito gordinha, e todos me zuavam, me humilhavam, e isso me acarretou muitos problemas no futuro, mas vencemos, dona! E estamos aqui para a glória de Deus!

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