Voltando ao Passado – 67ª Parte

Viviane Freitas

  • 27
  • Dez
  • 2016

Voltando ao Passado – 67ª Parte

  • 27
  • Dez
  • 2016

Quando cheguei, logo de início, à Inglaterra, eu vi uma filha de pastor no meio de toda a igreja e disse para mim mesma: “Vou investir nela”.

Sabe aquela voz, aquele desejo de desenvolver alguém para Deus? Era exatamente isso. Eu tinha ouvido dizer que ela não estava firme com Deus. Por isso, olhei para ela com um alvo para ajudar.

Não sei dizer porquê, mas sempre gostei de desafios para que exercitasse a minha fé. Não para que eu aparecesse. Era algo interno que eu queria dar, para honrar a Deus e ganhar almas.

Às vezes a pessoa está rodeada por tantas outras, e mesmo sendo de Deus, pode não estar enxergando a oportunidade de ofertar a Ele, vidas.

Assim como eu sabia dos meus conflitos, parece que enxergava com muito maior intensidade a necessidade alheia. Mas não fazia isso com todo o mundo. No caso, esta menina jovem, filha de pastor, foi a minha primeira iniciativa de enxergar alguém, em meio a tantas outras pessoas.

Ela trabalhava com o seu pai na manutenção da igreja; ficou como sua secretária. A mãe também estava envolvida com a parte de receber pastores e com vistoria. O casal era, e é, até hoje, muito dedicado, honesto e servo. Ela tinha uma irmã também mais nova, a qual ajudava muito a mãe com o serviço de casa. A irmã era super prendada em todos os aspetos. Mas os meus olhos estavam voltados especialmente para a irmã mais velha, porque era a mais difícil.

Eu lembro-me que houve uma vez que o Júlio teve que fazer uma viagem, de 1 dia. Ele voltava no dia seguinte. E por isso, surgiu uma oportunidade de eu sair com um grupo de esposas e também com elas. Pedi aos pais, para que eu pudesse sair com as suas filhas, e eles imediatamente deixaram.

Iria ser a minha primeira saída a fim de passear na Inglaterra, movida pela minha iniciativa. Esse passeio tinha o objetivo de me aproximar delas e apresentar um Jesus maravilhoso. Saímos de manhã e só voltámos para casa por volta da meia-noite.

Fomos a vários lugares na Inglaterra, de metro, lanchámos, e no fim fomos ao cinema. Fiz o que eu acho que nunca tinha feito, nem para mim mesma. Mas fiz com o objetivo de me aproximar delas.

Sabe quando a alma tem tanto valor para si, que você quer fazer alguma coisa para chegar perto, com o único interesse de salvá-la do inferno?

Assim foi, e aos poucos fui inventando coisas para me achegar a esta alma. Fui, inclusive, até à casa dela, para fazer panquecas.

Morávamos todas na igreja. E mesmo morando no mesmo local, era bem difícil nos encontrarmos. Então eu tinha que criar certas oportunidades. Num outro dia, fiz um “arroz maluco” e mandei para a família. Assim, aos poucos, ia me aproximando. Até que um dia, ela me escreveu um e-mail agradecendo pela atenção. E eu pedi algo a mais dela. Falei que me desse a oportunidade de ser sua amiga. Eu não queria apenas um agradecimento, eu queria que ela contasse comigo para as suas dificuldades. Queria ajudá-la.

E assim foi… ela começou a contar-me acerca das suas dificuldades e pude ajudá-la, aconselhando-a, etc.

Além do trabalho dela, às vezes tinha que contatar comigo para algumas decisões que eu tinha que tomar, e ali partilhávamos momentos de conversa.

Eu não era aquela pessoa que ficava “em cima”, porque tinha muitas outras responsabilidades para dar conta. Mas queria dar aquilo que via como necessidade, quando enfrentava os meus próprios conflitos. Assim, dava atenção, orientação, ouvia sem condenar e orientava.

À medida que eu fazia isso, buscava saber com a mãe dela, como ela estava indo em casa. Pedia-lhe também, caso ela tivesse alguma coisa que precisasse que eu trabalhasse, que me falasse, já que eu não tinha como a conhecer tão bem, pelo pouco tempo que passávamos juntas. O que tínhamos eram oportunidades criadas, que eu agarrava para ganhar alma dela.

E assim era.

Sabe que o meu objetivo em relação a alguma coisa, me faz empenhar em algo que nem é muito do meu dia-a-dia? Mas esse objetivo permite expandir a minha visão, descobrir novas coisas que jamais eu descobriria se estivesse no meu mundinho egoísta.

Agradeço muito a Deus por esta fé, que sempre me ensina, que me incentiva a desafiar a mim mesma. Ensina-me a servir, ao mesmo tempo que investe em mim como pessoa.

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Série: Voltando ao Passado

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17 Comments

  1. Gostei muito do seu blog D.Viviane em relação ao que a senhora escreveu temos que ser um instrumento nas mãos de Deus e fazer com todo prazer a Sua vontade.Gosto muito de ler o seu blog!

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  2. 75°D- Prosseguir…para o reino de Deus, crescendo em graça e misericórdia, servindo ao Senhor Jesus em tudo o quanto Ele quiser e mostrar. Fazendo somente a sua vontade. Nessa fé. ?Instrumento de Deus nessa grande orquestra! Obrigada.

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  3. Olá dona Viviane, é o meu primeiro jejum de Daniel e também a primeira vez que entro no seu blog. Comecei no Post em que a senhora conta sobre a perda dos seus filhos, chorei com o seu relato e ficou a curiosidade de saber mais e mais. Gostaria de saber se a senhora nunca mais teve contato com as crianças? Grande abraço.

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